Grupo desenvolve aplicativo que identifica Covid-19 a partir de raio-X do pulmão

Inteligência artificial estudada por startup e pesquisadores da USP diferencia 144 variações de imagens.

Tecnologia pode ser aplicada no diagnóstico de outras doenças como dengue e malária.

Aplicativo desenvolvido em Ribeirão Preto identifica Covid-19 a partir de raio-X do pulmão Arquivo pessoal Uma empresa de tecnologia e pesquisadores da USP de Ribeirão Preto (SP) desenvolveram um aplicativo que realiza o diagnóstico de pacientes com Covid-19 a partir de exames de raio-X do pulmão dos pacientes. O sistema, que utiliza inteligência artificial e computação em nuvem, analisa as variações das imagens pelo celular e as converte em algoritmos que diferenciam, em minutos, casos do novo coronavírus de pessoas em condições normais de saúde, além de diagnósticos de dengue e malária.

O objetivo é que o aplicativo, com potencial de identificar outras doenças pulmonares, seja utilizado por médicos e reduza os impactos da pandemia na rede pública de saúde, segundo Paula Cristina dos Santos, doutora em ciências pela Faculdade de Medicina da USP e CEO da Beevi, startup responsável pelo projeto instalada no Supera Parque. A ideia, segundo ela, não é substituir exames como o método RT-PCR, mas sim garantir mais agilidade no encaminhamento dos pacientes dentro dos hospitais.

"O teste molecular demora, não é todo lugar que tem um PCR disponível.

Mesmo no estado de São Paulo pode durar de dois a cinco dias para sair um resultado.

Nesse período, com o raio-X pelo menos o médico consegue direcionar o tratamento ou a intervenção que vai fazer", diz. Inteligência artificial O aplicativo Marie - nome dado em homenagem à cientista polonesa Marie Curie [1867 - 1934], única mulher a ganhar o Prêmio Nobel duas vezes - começou a ser desenvolvido em março. Os cinco pesquisadores envolvidos testaram os algoritmos em imagens de radiografias disponíveis em repositórios de dados da China, Brasil, Itália e EUA.

Em um primeiro momento, com a análise de 3,5 mil radiografias, foi possível confirmar a eficácia da inteligência artificial no diagnóstico da tuberculose e da Covid-19.

O sistema é capaz de compreender 144 características diferentes, das quais 42 são específicas para o novo coronavírus, e estabelecer níveis de graduação do comprometimento do pulmão. Aplicativo desenvolvido em Ribeirão Preto lê imagens de radiografias e deve funcionar como assistente para médicos no enfrentamento da Covid-19 Arquivo pessoal/ Paula Cristina dos Santos Esses padrões, não compreensíveis a olho nu, mudam de acordo com a intensidade, a linearidade e o contraste dos pixels registrados nos exames. "Quando o pulmão está muito escuro é porque ele é normal.

Quando ele começa a ficar mais claro, ou o que a gente chama na computação que vai para uma escala de tons de cinza, é porque tem alguma patologia.

A questão aí é o padrão, a distribuição desses pixels em tons de cinza e branco", explica Paula. O grupo já ampliou o estudo para dengue e malária e, após um total de 6,3 mil exames testados no aplicativo, também obteve resultados positivos para a identificação dessas patologias, de acordo com a CEO da startup. As pesquisas também estão direcionadas para o diagnóstico de gripe suína (H1N1), síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers) e síndrome respiratória aguda grave (Sars).

"A ideia é expandir para várias patologias pulmonares para que o médico possa ter mais possibilidades", diz. Paula afirma que o aplicativo, que não será aberto ao público em geral, já tem condições de ser utilizado, mas precisa de financiamento para que chegue aos profissionais de saúde.

Em um primeiro momento, o objetivo é concorrer a um edital aberto pelo Governo do estado de São Paulo para colocar a tecnologia em prática dentro de uma unidade de referência como o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP).

"O primeiro passo é tentar estabelecer esse convênio com algum hospital.

A partir daí, tenho o cadastro dos médicos, então eles mesmos receberão esse assistente no celular", explica. Para essa primeira etapa, o grupo busca recursos da ordem de R$ 250 mil.

"Esses algoritmos estão em cloud [nuvem].

Hoje a empresa não consegue manter esse serviço." Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca Initial plugin text
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